"O Apego"

Grudei meus olhos na tela da primeira à ultima cena. Saí do cinema com eles molhados, regados de amor por Elliot, Sandra, Alex, Lucille. (E por tantos outros personagens da vida real que "assisto" na sala 804, também tocada pela emoção.)
Vencedor do Prêmio César 2026 - o mais importante do cinema francês, "O Apego" nos conecta de forma comovente à dimensão humana e afetiva da vida em sua condição mais plural. Nascimento, morte, amparo, desamparo, começo, recomeço, sentido e significado tecem uma trama permeada de fundura e delicadeza.
Atenção, pequeno spoiler no parágrafo seguinte, desmanchado já nos primeiros minutos do filme.
Uma mulher entra em trabalho de parto e parte. Restam o chorinho da filha, o choro do pai, os infindáveis porquês de um menino de 6 anos que acabou de perder a mãe e ganhar uma irmã. Dor e amor se fundem na vida que segue seu curso e nos convida gentilmente (nem sempre tão gentil) a continuar.
Da espontaneidade e ternura de uma criança vêm os correntes toques de campainha e a acolhida (no improviso) da vizinha da frente. Ao invés de açúcar ou pó de café, presença. Em meio às perguntas tantas vezes sem resposta, o afeto vai se desvelando na relação também recém-nascida, confirmando o que o ser humano tem de mais genuíno: sua capacidade de amar.